Bruno Berezaga não decidiu sair da plataforma: foi desligado num layoff. Foi ali que nasceu a Disco.
É assim que Bruno Berezaga, founder da Disco, começa a contar a história da agência. Ele passou por um layoff dentro de uma plataforma de e-commerce. E foi nesse momento, longe de ser o melhor da carreira, que veio a virada.
"O mercado de e-commerce estava aquecido, e o nível de contribuição que eu conseguia dar de dentro das plataformas era mínimo, porque eu entregava aquilo como um produto. Agora eu podia pegar na mão de marcas muito legais e ajudar, de fato, essas marcas a crescerem."
A Disco não é a primeira aposta do Bruno. Ele se aventurou como empreendedor e teve uma loja que cresceu, mas quebrou.
Mesmo assim, ele se levantou. Passou pelas plataformas que movem o varejo digital brasileiro (Shopify, VTEX e Linx) e somou 20 anos de e-commerce e mais de 100 projetos no currículo.
De dentro das plataformas, o Bruno notava um padrão. "As empresas foram construindo seus negócios baseados no que a tecnologia permitia, e não no que elas realmente necessitavam. Muitas vezes, o e-commerce não representava bem quem era a marca, o que ela precisava explorar e como ela precisava se diferenciar."
E havia um motivo para isso. "Ser empresário é muito difícil. Tem que cuidar do processo produtivo, de compras, de funcionários. Às vezes, os detalhes dentro de um canal tão importante passam despercebidos. A gente nota em quase todos os negócios que existe espaço para otimização e profissionalização."
Foi isso que o motivou a montar a Disco: um e-commerce que fosse além das questões técnicas e conversasse, de fato, com os clientes que a marca se propõe a atender.
O início teve aprendizado. "Acho que a gente subestimou um pouco o que é ter uma agência grande. Uma coisa é o conhecimento que eu consigo repassar para um lojista. Outra coisa é como a gente gere um time altamente capaz de fazer entregas de altíssimo nível, mantendo a base de conhecimento que vem dos fundadores."
Desde o começo, a ideia foi montar um time competente e com bagagem. O que faltava era processo. "O que eu faria de diferente seria estruturar um pouco melhor a casa antes de ir com tanta força para a rua. Mas a gente só chegou onde chegou porque foi com força para a rua e fez as apostas certas em termos de tecnologia."
Em 2026, a Disco trocou o antigo "E-commerce com personalidade" por um novo posicionamento: by humans, for humans
Para o Bruno, isso não é desconfiança da tecnologia. "A gente usa a tecnologia a nosso favor, no dia a dia, com bastante volume e com um nível de maturidade muito grande. E mesmo utilizando muito, a gente entende que a tecnologia ainda precisa muito de contexto, de base de conhecimento, de quem está usando ela como ferramenta."
Um exemplo real: um cliente chegou dizendo que já tinha implementado tudo o que uma ferramenta de IA havia sugerido. "Só de abrir o site, a gente viu 500 coisas para fazer, de boas práticas, de comunicação, de questões técnicas. Tem que existir uma base de conhecimento prévio importante para saber o que tem valor e o que precisa ser feito para realmente ajudar o cliente."


Na prática, quem contrata a Disco recebe alguém que já esteve dos dois lados do balcão: o de quem constrói a tecnologia e o de quem precisa vender com ela. Isso aparece no Discovery, na hora de priorizar o que vem primeiro, e no acompanhamento depois que a loja vai ao ar.
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